Mercado cearense prevê boom de lançamentos imobiliários

O mercado é crescente. Um estudo concluído ano passado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) prevê que o setor tende a crescer até 2030

Facilidade de crédito, juros baixos, programas habitacionais e o retorno de construtoras que trabalham com capital aberto prometem aquecer o mercado cearense através de lançamentos imobiliários. Especialistas do segmento enxergam com otimismo o cenário imobiliário nos próximos anos. “O mercado é crescente. Um estudo concluído ano passado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) prevê que o setor tende a crescer até 2030”, revelou Sílvio Alves de Oliveira, diretor da Bolsa de Soluções Imobiliárias.


Nesse contexto, os lançamentos imobiliários são os primeiros na curva ascendente de crescimento do setor. “O mercado de lançamentos imobiliários no Ceará está muito aquecido. E a tendência é uma dinamização ainda maior, por conta de vários fatores, como liberação dos contratos do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ (MCMV) e, no médio prazo, a Copa de 2014”, comentou o diretor da imobiliária Viva Imóveis, Paulo Angelim.

O corretor de imóveis, Hamilton Cavalcante, também compartilha o otimismo com o qual é encarado o futuro do mercado. “O Ceará está muito bom em termos de lançamentos. A capital lança novos empreendimentos praticamente todas as semanas, quase sempre com 70% dos imóveis vendidos. Aqui o mercado é tanto construtor, quanto comprador. Acredito que 2010 vai ter um ‘boom’ de lançamentos imobiliários, incentivado por uma série de variáveis que contribuíram com o crescimento do segmento”, explicou Cavalcante.

FATORES DE CRESCIMENTO
O programa habitacional do Governo Federal “Minha Casa, Minha Vida”, que promete ser uma grande ferramenta em ano eleitoral, gera opiniões divergentes no mercado. Para Hamilton Cavalcante, o programa é um sucesso, principalmente, no tocante a novos empreendimentos de até R$ 130 mil. “Podemos dizer que produtos com esse perfil não param nas prateleiras. No Estado, quase todos dentro das características do programa estão vendidos. O MCMV, certamente, tem grande participação no quadro positivo do mercado de lançamentos imobiliários”, defendeu.

Contrariando a corrente que defende o programa habitacional, o diretor da Bolsa de Soluções Imobiliárias, adota uma postura mais comedida em relação à aplicabilidade do MCMV. “Acho que o MCMV não teve grande influência em 2009. Estamos muito atrasados em relação ao restante do País”, contrapôs.

O especialista, no entanto, destaca a queda dos juros e o acesso facilitado ao crédito habitacional como fortes indutores do crescimento imobiliário. “Como já afirmei, o mercado imobiliário brasileiro é crescente. Juros baixos e mais facilidade de obter crédito influenciam este quadro. Quem não tem moradia vai comprar. Quem tem, vai querer melhorar. Há também clientes interessados numa segunda moradia para fins de lazer. O Brasil está um canteiro de obras”, destacou Sílvio Oliveira.

A economia estabilizada, argumentou Angelim, também influi no panorama imobiliário do País. “As boas condições macro-econômicas pelas quais passam o País, e em particular o nosso Estado, evidenciando a distribuição de renda, aumento do nível de emprego e da atividade econômica também são agentes importantes no sucesso do mercado de lançamentos imobiliários”, pontuou.

Segundo Cavalcante, a volta ao mercado das construtoras que trabalham com capital aberto será fundamental para o segmento nos próximos anos. “As construtoras com capital aberto estão retornando e direcionando os esforços para produtos que adaptam-se ao MCMV. Durante a crise, essas construtoras recuaram e não investiram muito. Isso foi bom para as empresas locais que não intimidaram-se com o abalo econômico e continuaram a lançar empreendimentos. A estabilidade incentiva o investimento das empresas de capital aberto, ou seja, Fortaleza pode esperar mais lançamentos imobiliários por aí”, calculou o corretor.

Mesmo com os respingos da crise que começou no mercado imobiliário americano, o segmento no Ceará conseguiu reagir ao efeito dominó que repercutiu internacionalmente. “Ano passado, o mercado começou de banda, ainda sob o baque psicológico dos efeitos da crise do fim de 2008. Mas, depois de março acelerou para não descer mais. Foi muito bom. Na Viva Imóveis, crescemos as vendas em 41% em relação a 2008”, contou Angelim, acrescentando que a imobiliária está trabalhando com a expectativa de crescimento de mais 40%, pelo menos para 2010.

ENTRAVES
A demora na aprovação de contratos do “Minha Casa, Minha Vida” e empecilhos na liberação dos projetos na Prefeitura e órgãos ambientais são, na opinião de Angelim, grandes entraves para o segmento. “Em termos de lançamentos, o Ceará quando comparado ao cenário nacional, ainda é muito prejudicado por gargalos na liberação dos projetos na Prefeitura e órgãos ambientais, e também por lentidão na aprovação dos contratos ‘Minha Casa Minha Vida’. Por isso, acredito que teremos uma aceleração ainda maior do que outros Estados, pois estamos atrasados, e com uma demanda contida”, refletiu.

MONOPÓLIO
Em meio ao “boom” de lançamentos imobiliários, cresce a especulação de que esteja nascendo um monopólio por parte das maiores imobiliárias em torno do mercado de venda dos novos empreendimentos. Para Angelim, o processo chamado de “consolidação” do setor é inevitável. As construtoras e incorporadoras buscam força de vendas, com capilaridade no mercado e qualidade de atendimento. Entretanto, o diretor da Viva Imóveis, discorda que haja privilégio exclusivo nesse sentido. “Discordo que já esteja havendo no Ceará uma concentração excessiva. Ainda somos muito pulverizados. A força dos corretores autônomos e pequenas imobiliárias neste segmento de lançamentos ainda é muito intensa”, destacou.

Mesmo sendo uma política adotada em algumas capitais, afirmou Cavalcante, o Ceará ainda não aderiu à concentração de vendas. “O nosso mercado está aberto, qualquer profissional pode vender. O fato é que algumas construtoras querem resultados e velocidade nas vendas. Então, imobiliárias que possuem um número grande de corretores que podem ficar em plantões nos estandes são mais procuradas, pois as chances de sucesso são maiores. Isso não quer dizer, no entanto, que um corretor autônomo ou uma imobiliária de menor porte não possa vender”, ressaltou o corretor. 


Fonte: engexata
 

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