Especialistas divergem sobre valorização de imóveis com possíveis mudanças no FGTS

Possível medida, que ainda não foi aprovada pela presidente Dilma, poderá subir o limite do valor de imóveis financiados pelo FGTS para R$ 750 mil
Por Heraldo Marqueti Soares 
 Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, o Governo poderá elevar o teto do valor dos imóveis que podem ser financiados com o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) - passando de R$ 500 mil para R$ 750 mil. Procurados, o Ministério da Fazenda e a Caixa Econômica Federal (gestora do fundo) não confirmaram as informações, dizendo que ainda não foi anunciado nada oficialmente.

Ainda assim, o portal InfoMoney buscou especialistas para saber o que pode ocorrer com o preço dos imóveis na faixa atingida, caso a medida entre em vigor 
Os economistas Dana e Rytenband afirmam que outros setores também precisam ser incentivados para o crescimento econômico em 2013 (Wiki Commons)
O presidente do Secovi-SP, Cláudio Bernardes, afirma que não há uma relação direta entre o aumento do teto do FGTS e uma possível a elevação dos preços. "Se for aprovada, a medida será uma adequação à realidade do mercado, pois os preços subiram e o limite do FGTS não", diz ele explicando que poderá haver um incremento nas vendas, mas que isso não implica necessariamente na valorização dos imóveis. "As pessoas que não podem comprar por conta do limite, poderão fazer isso, caso seja confirmada a medida".

Já, para o economista Richard Rytenband, independentemente da nova medida, os preços deverão continuar subindo, mas num ritmo muito mais lento do que ocorreu nos últimos dois anos. Alguns dos principais fatores para essa continuidade do aumento dos preços é a alta dos custos das matérias primas para a construção e a valorização da mão-de-obra no setor, ou seja, a construção civil vai continuar tendo altas nas valorizações, mas não por conta desta possível medida do Governo em elevar o teto do uso do FGTS.

“Os custos da construção civil (INCC – Índice Nacional de Custo da Construção) têm subido mais que a inflação, sendo que o componente que mais contribuiu para isto é a mão-de-obra”, diz Rytenband, afirmando que mesmo com a desaceleração da economia neste ano, os níveis de desemprego permaneceram baixos - representando uma alta demanda por trabalhadores da construção. 

Para ele, com a retomada do crescimento econômico em 2013, o mercado de trabalho será pressionado, elevando os salários – que aliados aos encargos trabalhistas farão aumentar os custos das construtoras.

O professor de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Samy Dana, por outro lado, acredita que se a medida do Governo for concretizada, ela poderá influenciar a valorização dos imóveis no curto prazo; já no médio e longo prazos deverá haver um equilíbrio. “No entanto, o setor imobiliário precisa não apenas de juros mais baratos, mas de preços mais razoáveis”, diz ele a respeito dos juros dos financiamentos pelo FGTS, que são mais baratos.

Quanto aos bancos privados, Dana conta que eles vão ter que ajustar suas taxas, já que é um setor importante para a realização de financiamentos imobiliários. Quem faz a gestão de financiamentos pelo FGTS é a Caixa Econômica Federal. 


Fonte: infomoney
 

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