Financiar imóvel na planta pode sair mais caro e exige cuidados

A grande oferta de crédito disponível no País possibilita, já alguns anos, as pessoas terem acesso ao financiamento bancário antes mesmo da casa própria sair do papel.

A iniciativa traz algumas vantagens em relação à compra de um imóvel já em construção ou seminovo. Porém, dependendo do caso, os benefícios podem ficar em segundo plano quando a conta a pagar no final do prazo for bem maior.

Segundo especialistas em finanças pessoais, financiar um imóvel na planta fica, em média, 10% mais caro do que outras opções de compra, montante suficiente para comprar dois carros populares. Além disso, exige cuidados contratuais e planejamento financeiro.


Financiar um imóvel na planta fica, em média, 10% mais caro do que outras opções de compra, montante suficiente para comprar dois carros populares (Foto: Banco de Imagens / Think Stock)
“É um investimento de alto risco, apesar de o ativo ser um imóvel. Não recomendo adquirir um bem na planta”, aponta Marcos Silvestre, economista especializado em finanças pessoais.

A diferença nesta modalidade é que o consumidor, em vez de dispor de um valor de entrada à vista e financiar o restante ao longo dos anos, como ocorre tradicionalmente, faz um pagamento parcelado desta quantia inicial durante o período de construção do imóvel e, somente após a entrega das chaves, começa a quitar o saldo devedor.


No entanto, apesar desta entrada parcelada não contar com juros, as parcelas são corrigidas pelo INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), que mede a inflação do setor. Ao mesmo tempo, o saldo devedor, que o consumidor começará a pagar somente depois de receber o bem, também sofre reajuste pelo mesmo índice, o que aumenta a dívida no decorrer das obras. 



“É aí que mora o perigo. Esse índice tem sido de 0,60% ao mês. Então, suponhamos que a pessoa compre um imóvel de R$ 300 mil na planta, sendo 10% de entrada [R$ 30 mil]. No final da construção, que demora três anos, em média, o saldo devedor do imóvel não será R$ 270 mil e sim de R$ 335 mil. O INCC corrige a parcela da entrada e o saldo”, explica Silvestre.

Já segundo Marcelo Prata, fundador e CEO do Canal do Crédito, site que compara produtos financeiros, apesar de custar mais, o benefício de realizar empréstimo antecipado dá a certeza de que a análise de crédito do consumidor já foi feita pelo banco no momento da compra (no financiamento de um imóvel pronto, a avaliação acontece depois das obras).

Além disso, ele aponta que, na aquisição do apartamento na planta, há a possibilidade de participar da escolha das características do projeto, como acabamentos e configuração dos imóveis. Para isso, porém, o comprador tem se atentar ao memorial descritivo, documento que detalha a construção e deve fazer parte do contrato com a construtora.

“Há também o deságio, o imóvel se valoriza neste período. Quem compra na planta paga um valor entre 15% e 20% menor que o bem vai valer na época da entrega das chaves”, completa Prata.

“Para isso valer a pena, no entanto, o imóvel precisaria sofrer uma valorização de 60% nestes três anos de obra”, pondera Silvestre.

Confira uma simulação que compara as duas formas de aquisição:

1) Imóvel na planta
Valor do imóvel: R$ 300 mil
Valor da entrada: 10% (R$ 30 mil parcelados e corrigidos pelo INCC)
Tempo de financiamento: 30 anos (sendo 3 anos durante as obras)
Taxa: 8,5% ao ano (0,68% ao mês), sem IOF e seguro
Parcelas: 324 x R$ 2.563,00
Total pago ao final: R$ 867,612 mil

2) Imóvel já construído
Valor do imóvel: R$ 300 mil
Valor da entrada: 10% (R$ 30 mil à vista)
Tempo de financiamento: 30 anos
Taxa: 8,5% ao ano (0,68% ao mês), sem IOF e seguro
Parcelas: 360 x R$ 2.011,00
Total pago ao final: R$ 754,90 mil


Fonte: Zap
 

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