Novos imóveis valorizam bairros

A característica regional é a edificação horizontal, construção de casas isoladas. Estas são no bairro Altiplano
Iguatu A exemplo do Cariri cearense, a região Centro-Sul assiste, nos últimos quatro anos, uma expansão do setor da construção civil. A característica regional é a edificação horizontal, construção de casas isoladas, por empresas pequenas ou por construtores particulares. O boom do segmento deve-se aos investimentos públicos elevados, a partir do Programa Minha Casa, Minha Vida, operacionalizado pela Caixa Econômica.


As cidades de Acopiara, Icó, Iguatu e Várzea Alegre são as que mais expandem investimentos na construção civil, edificação de imóveis residenciais e comerciais. A agência regional da Caixa Econômica ainda não fechou os números de liberação de recursos referentes a 2012, por isso ainda não há divulgação oficial dos valores investidos no Programa Minha Casa Minha Vida. Entretanto, a Associação dos Construtores do Centro-Sul do Ceará trabalha com uma estimativa de pelo menos R$ 30 milhões somente para a cidade de Iguatu.

De acordo com o presidente da Associação dos Construtores do Centro-Sul, Elenilton Lopes, no passado foram liberados R$ 24 milhões. "Em setembro passado, a agência da Caixa já tinha alcançado a meta", informou. "A nossa expectativa é que em relação a 2011, o aumento neste ano dos recursos investidos no setor será de 30%".

Lopes disse que neste ano foram construídas somente em Iguatu 300 casas, cujo lote padrão é de 150 metros quadrados com um valor médio de R$ 100 mil. A renda líquida dos construtores varia entre 25% e 30%, segundo a Associação dos Construtores do Centro-Sul do Ceará.

A expansão vertiginosa da construção civil começou há cerca de quatro anos. Essa realidade inflacionou o preço dos lotes urbanos que no período registrou um aumento médio de 400%. O metro quadro era vendido a R$ 30,00, mas hoje está em torno de R$ 150,00, dependendo da localização do imóvel, pois há diferença de preço entre os bairros.

Na cidade de Iguatu, os bairros onde há maior expansão da edificação de casas são Altiplano, Cocobó, Areias, Lagoa Park e Fomento. Este até bem pouco tempo era uma área rural próxima à cidade. "A cidade não para de crescer e investimos em obra de infraestrutura, calçamento e abertura de novas avenidas que estão impulsionando o setor da construção civil", observou o prefeito, Agenor Neto. "Em todos os bairros há construção de casas".

Em 2011, houve uma retração no setor porque, durante alguns meses, a Caixa Econômica Federal exigia que a rua onde estivessem localizados os lotes para construção da casa fosse pavimentada. Depois, houve a suspensão da medida. Elenilton Lopes acredita que o valor dos lotes tendem a se estabilizar com a abertura de novos loteamentos. "Aumentou a oferta e o preço agora tende a se estabilizar", observou.

A realidade de hoje é oposta ao que se verificava no início da década de 2000. "Naquele ano, só dois prédios estavam em construção no centro comercial e quase não havia edificação de casas", lembra o construtor Assis Lavor. "O setor registrava desemprego elevado". O mestre de obra Pedro Lima recorda que trabalhava na edificação de um imóvel comercial no centro da cidade e diariamente pedreiros e serventes procuravam empregos. "Por dia, pelo menos cinco pedreiros e serventes pediam trabalho e alguns saiam chorando dizendo que em casa não havia nada para a família comer", contou. Hoje, a situação é totalmente inversa, o nível de emprego aumento, há escassez de mão-de-obra e o valor da diária também cresceu.


A Associação dos Construtores do Centro-Sul estima que no município de Iguatu cerca de mil operários trabalham diretamente no setor. Os trabalhadores estão animados. "Não falta trabalho", disse o servente Cláudio Paiva. "É terminando uma casa e começando outra no dia seguinte". Pintores, pedreiros, auxiliares, eletricistas e instaladores de placas de gesso estão ocupados e contentes com a oportunidade de trabalho que não falta.

Já os que necessitam de mão-de-obra para serviços de reforma ou ampliação de casas reclamam da dificuldade. "Estou há seis meses procurando um pedreiro para fazer uma caixa d´água e não consigo", contou o servidor público estadual, José Paulino Souza. "Todos estão ocupados", afirmou.

Neste período do ano, o setor fica ainda mais aquecido porque as construções e serviço de reforma e ampliação reduzem na época invernosa que está se aproximando. Além do aumento do financiamento público por parte do governo federal para a edificação da casa própria, a redução dos impostos referentes ao material de construção contribuiu ainda mais para a expansão do setor.


HONÓRIO BARBOSA
REPÓRTER
Fonte: Diário do Nordeste
 

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