Periferia no topo dos imóveis mais vendidos na Capital

Movimento é puxado pela nova classe média, que no Ceará, segundo o mercado, divide-se em duas camadas
A nova classe média continua proporcionando experiências de crescimento a vários segmentos da cadeia produtiva nacional. Na construção civil cearense, por exemplo, o movimento de ocupação dos bairros mais distantes dos centros economicamente ativos é o mais novo exemplo disso. Diferentemente do observado nos anos anteriores, quando os milionários apartamentos e casas da Aldeota lideraram o ranking dos mais vendidos; em 2012, foram os imóveis mais modestos e localizados na periferia que estiveram no topo.

Diferentemente dos anos anteriores, ao invés dos milionários imóveis da Aldeota, em 2012, foram os imóveis mais modestos e em áreas centrais os mais procurados fotos: Divulgação/Rodrigo Carvalho


Para o presidente do Sindicato das Habitação no Ceará (Secovi-CE), Sérgio Porto, isso se deve ao comportamento de dois tipos de classe média identificadas pelo mercado local, atendidas pela mudança na política habitacional do País. "Hoje, estamos atendendo a uma demanda reprimida de cerca de 20 anos", afirma.

Das camadas sociais mencionadas por ele, a primeira é formada por pessoas cujos pais já possuiam condições financeiras estáveis e moravam em locais não tão caros da cidade. "Os filhos casam agora e, com o aumento dos lançamentos, optam por continuar no bairro onde cresceram", disse.

A outra é a tão falada camada em ascensão e possui poder aquisitivo crescente , capaz de impulsionar o mercado imobiliário do centro para as periferias. "Com o financiamento facilitado, esse pessoal consegue comprar um apartamento que antes só alugava", afirma. "Esse bairros foram descobertos pelas construtora, e, por isso, uma prestação acessível e um longo período para pagar", apontou, referendando a oportunidade que surgiu para atender a demanda em bairros mais afastados do Centro.


Porte

Outra característica observada para as unidades lançadas áreas mais distantes é o porte da moradia, o que a torna ainda mais atraente quando somada ao metro quadrado - que é mais em conta nessas regiões.

"Mas isso eu enxergo como uma evolução da arquitetura e dos moradores de apartamento. É uma habitação pequena com condições de manter com uma diarista e o esforço dos próprios donos e que teve cômodos levados para a área comum do prédio", afirmou.

Ele refere-se a áreas como o salão de festa e até o escritório - substituído pelo home office.

Mobilidade é crucial

Sérgio Porto falou também de outro fenômeno que abala toda capital brasileira em desenvolvimento, como Fortaleza. Trata-se das questões de mobilidade urbana, as quais interferem diretamente na decisão das pessoas ao buscar moradias e das próprias incorporadoras ao escolher locais para investir.

"Hoje, as pessoas compram suas casas próximas ao trabalho, ao colégio dos filhos, tudo para não perderem tempo com engarrafamento", argumenta.

O comportamento, inclusive, foi contado na convenção nacional dos sindicatos da habitação do País, segundo Porto.

Infraestrutura

Ultrapassando as questões da mobilidade, a infraestrutura que atende um bairro distingue as áreas alvos de investimento das outras. De acordo com o presidente do Secovi-CE, a infraestrutura de atendimento de cada região também é crucial para definir o perfil da área.

É partir disso que áreas como Messejana ou Mondubim foram escolhidas para os novos lançamentos e figuraram como os locais com mais unidades vendidas neste ano.

"A nova classe média não busca escola pública, mas uma privada de renome. Não busca posto de saúde, mas um plano hospitalar privado", afirma o presidente do Secovi-CE.

Por outro lado, emenda, "quando se fala de lançamentos imobiliários em áreas onde existem apenas o atendimento básico, proporcionado pelo poder público, só se encontra empreendimentos que atendem ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV)". 

Fonte: Diário do Nordeste
 

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