Ritmo de vendas de imóveis cai na RMF, mas gira R$ 990 mi

Considerando as vendas em 12 meses, a movimentação do mercado imobiliário somou R$ 2,78 bilhões
A velocidade de venda dos imóveis novos na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) voltou a cair em 2012. No primeiro semestre do ano, a cada 100 unidades lançadas somente cinco foram vendidas no período de um mês - quatro a menos em relação a performance de vendas verificada nos seis primeiros meses de 2011, quando a proporção era de 9 para 100. As vendas do primeiro semestre somaram R$ 990 milhões, revelando uma retração de 16,1% em comparação com o total apurado em 2011 (R$ 1,18 bilhão). 


Sérgio Porto: "no segundo semestre, teremos uma curva de vendas mais positiva" FOTO: ALEX COSTA

Entre julho de 2011 e junho de 2012 foram contabilizados R$ 2,78 bilhões resultantes da venda de 8.200 imóveis. 

A perspectiva do presidente do Secovi-CE (Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis), Sérgio Porto, é que seriam necessários 20 meses para vender todos os prédios em estoque hoje em Fortaleza. Isso considerando apenas imóveis novos ou com até 180 ou seis meses da expedição do habite-se - documento emitido pela Prefeitura que atesta a legalidade do imóvel. 

 Os dados relativos a Fortaleza e Região Metropolitana constam no estudo ´Indicadores de vendas do mercado imobiliário´ elaborado pelo Instituto de Pesquisas e Estatísticas do Secovi-CE (Inpesce) e se referem ao primeiro semestre de 2012. O balanço, que traçou um comparativo dos últimos três anos, foi apresentado à imprensa na sede do Sindicato, ontem pela manhã.


Conforme o levantamento, o número de imóveis lançados nos seis primeiros meses do ano vem caindo sistematicamente. Enquanto entre janeiro e junho desse ano foram lançados 2.600 imóveis na RMF, no mesmo período de 2011 foram contabilizados 3.500 lançamentos. Já em 2010, ano em que o mercado imobiliário atingiu seu ápice de vendas, chegaram a ser lançados 4.400 imóveis. A queda do número de lançamentos de 2010 a 2012 foi de 40,9%.

O número de unidades vendidas no primeiro semestre também vem declinando ano a ano, porém em menor proporção. Na primeira metade de 2010 foram comercializados 4 mil imóveis novos; em 2011 as vendas totalizaram 3.600 unidades. Em 2012, no primeiro semestre, 3.100 imóveis foram vendidos. A redução na quantidade de imóveis novos vendidos entre 2010 e 2012 foi de 22,5%.

De acordo com o consultor econômico do Secovi-CE, Paulo Kuhn, os números não são indicativo de crise para o setor. "Não existe crise. Esse é um momento de inflexão, de ajuste do mercado. Quando a curva de vendas está em baixa cria uma bolsa de imóveis, um estoque. Logo em seguida terá um ponto de equilíbrio. Ou seja, esse ´gaps´ (hiato) é perfeitamente suportável", defende o economista.

Para Sérgio Porto, o que ocorre na prática é que se o empresário vai lançar um prédio, mas percebe que o mercado não está vendendo, então ele segura o lançamento. "E ele está fazendo isso numa velocidade um pouco maior em relação a velocidade de venda. Então temos uma formação de estoque. Não é nenhum desajuste", assegura o presidente do Secovi-CE.

A explicação para esse comportamento do setor, segundo ele, é que o mercado está se ajustando mais em unidades do que em termos financeiros. "Nós acreditamos que no segundo semestre teremos uma curva de vendas mais positiva", reforça.

Porto acrescenta que a tendência é que o estoque de imóveis seja absorvido naturalmente nos próximos meses. "Uma evidência é que até outubro a Caixa já financiou o mesmo valor financiado durante todo o ano passado. Então vamos fechar o ano com recorde de lançamentos", comemora.
Entre julho de 2011 e junho deste ano, foram vendidos 8,2 mil imóveis FOTO: KID JÚNIOR 

 O vice-presidente do Sinduscon-CE, André Montenegro diz que a queda na velocidade de vendas não surpreende. "Desde o segundo semestre de 2011 já vínhamos notando a tendência de diminuição do ritmo de vendas. Um dos motivos é que preços atingiram um patamar de estabilidade. Outra razão é que as construtoras estão com o pé no freio para o lançamento de empreendimentos devido a demora na aprovação de seus projetos junto aos órgãos da administração municipal". A expectativa do setor é que a liberação das licenças ambientais seja agilizada no próximo ano. "Quanto à estabilidade dos preços, ela é positiva, pois o mercado se torna mais previsível para o consumidor", completa.


Messejana lidera comercialização

A escolha de bairros mais afastados do Centro da Capital para o lançamento de empreendimentos imobiliários se confirma como tendência de mercado. De acordo com o balanço do Instituto de Pesquisas e Estatísticas do Secovi-CE (Inpesce), no primeiro semestre do ano, o bairro de Messejana despontou como líder de vendas com 10% do total de unidades comercializadas na Região Metropolitana.

O vice-campeão de vendas foi o Mondubim (8,9%), seguido dos bairros Jóquei Clube (8%), Dias Macedo (6,9%) e Cidade dos Funcionários (6,5%).

Em 2011, Messejana ocupava o terceiro lugar do ranking, com 8,1% de unidades vendidas. O foco do mercado imobiliário no ano passado foi a Aldeota, respondendo por 14,7% das vendas. Em segundo lugar ficou o Porto das Dunas (9,5%).

Atrás de Messejana, em números de unidades comercializadas no primeiro semestre de 2011, ficaram os bairros Eng. Luciano Cavalcante (7,4%) e Cocó (5,9%).

Em valores, o campeão de vendas nos seis primeiros meses desse ano foi o Porto das Dunas, que concentrou 9,1% do capital investido nas vendas do semestre (R$ 990 milhões), aproximadamente R$ 90 milhões.

Em 2011 a liderança em valores era da Aldeota, que concentrava 21,9% do total das vendas do período.

Para Sergio Porto, presidente do Secovi-CE, a preferência por imóveis em bairros adjacentes está relacionada a busca de qualidade de vida. "Morar perto do trabalho ou do colégio dos filhos ou dos pais proporciona muito mais qualidade de vida e hoje essa é uma escolha possível porque os investimentos imobiliários em Fortaleza estão migrando para os bairros de forma inteligente, economizando custo".

Ele explica que os financiamentos imobiliários acentuaram essa tendência. "Normalmente quem casa quer morar perto dos pais, mas antes não havia imóveis a venda em bairros distantes do centro. Hoje é possível permanecer em Fátima, Parquelândia ou Messejana comprando um imóvel novo".

Conforme o estudo, em 2004, das 3.100 unidades lançadas na RMF, 41% se concentravam na região da Aldeota, Meireles, Mucuripe e Praia de Iracema. Entre julho de 2011 e junho de 2012, apenas 7% dos 8.200 lançamentos estão nesses locais.

Tamanho

Outra tendência diz respeito ao tamanho dos imóveis. No primeiro semestre do ano 62,2% dos imóveis lançados tinham entre 42 e 66 metros quadrados (m²) de área privativa, possuindo geralmente dois quartos. As vendas desse mesmo tipo de imóvel representaram 49,5% do total. Enquanto em 2011, 52% das unidades vendidas eram imóveis de três quartos, em 2012 a hegemonia das vendas passou a ser dos compactos, com dois quartos, correspondendo a 51,5%. (AC)

NÚMERO

8,1% era a participação de Messejana em 2011, quando o bairro ocupava o terceiro lugar no ranking de unidades vendidas

ÂNGELA CAVALCANTE
REPÓRTER 

Fonte: Diário do Nordeste
 

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