Mercado imobiliário: Aposta em áreas menos exploradas

Bairros mais nobres e tradicionais, já saturados e sem espaço para novidades, têm perdido a preferência
O mercado imobiliário de Fortaleza passou por uma frenética transformação nas últimas décadas. Em um relativamente curto espaço de tempo, o cenário da cidade foi redesenhado: ganhou linhas mais verticais e também se agigantou horizontalmente. Mas foi no passado mais recente que a Capital assistiu a uma "explosão" de empreendimentos residenciais e comerciais. 



O bairro Guararapes na zona leste de Fortaleza é apontado como a bola da vez, segundo especialistas em imóveis, com valorização vertiginosa FOTO: ALEX COSTA


Para se ter uma ideia, somente entre 2001 e 2011, o volume de vendas do setor na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) saltou 817%, passando de R$ 317 milhões para R$ 2,906 bilhões, de acordo com dados do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis (Secovi-CE). O ápice dessa performance, muito embora, já passou. O setor ainda se expande, mas experimenta, agora, um ritmo de desaceleração. Além disso, vê paradigmas se rompendo.

Nova vedete

Uma nova tendência é que bairros mais nobres e tradicionais, já saturados de construções e sem espaço para novidades, têm dado lugar para áreas, até então, menos exploradas de Fortaleza. "O Guararapes é a bola da vez", exemplifica Anchieta Dourado, conselheiro e coordenador de avaliação e obras do Creci-CE (Conselho Regional de Corretores de Imóveis). "Pesquisas mostram que a renda per capita no Guararapes é alta, e as construtoras têm investido nessa área", comenta. O bairro "da moda" - que engloba a área contornada pela Avenida Rogaciano Leite, Rua Dr. Thompson Bulcão, e ainda as Avenidas Almirante Maximiano da Fonseca e Washington Soares - tem se valorizado de modo vertiginoso. Há dois anos, o metro quadrado de um terreno no Guararapes tinha como preço médio entre R$ 1.000 a R$ 1.500. Hoje, varia entre R$ 3.500 a 4.500.



Segundo Anchieta, toda a zona leste de Fortaleza, que contempla as redondezas da Avenida Washington Soares, tem crescido em número de empreendimentos e valorização.

O Meireles segue como o bairro de maior prestígio na Capital, no entanto, os terrenos naquela região estão cada vez mais escassos, o que vem dificultando novos projetos. "Nos próximos anos, deveremos ver poucos lançamentos no Meireles", afirma o conselheiro do Creci.

Outros bairros nobres, como Aldeota, Cocó e Fátima aparecem, em seguida, também possuem destaque no mercado imobiliário fortalezense.

Preços

Conforme mostra o índice Fipe/Zap, que acompanha o preço médio do metro quadrado de apartamentos com base em anúncios da internet, Fortaleza lidera o avanço nos valores imobiliários entre as capitais pesquisadas. A alta foi de 16,7% nos últimos 12 meses, segundo o levantamento, percentual bastante acima da inflação média. O aumento nos preços é consideravelmente superior ao verificado em cidades do Nordeste, como Recife e Salvador, que, de acordo com o índice, ficaram ambas em torno de 9% mais caras. Mesmo com a escalada de valores, o metro quadrado médio em Fortaleza (R$ 5.047) ainda fica abaixo do cobrado no Rio de Janeiro, São Paulo, Niterói, Brasília, Belo Horizonte e Recife.

Segundo Anchieta Dourado, neste ano, o mercado vive uma acomodação nos preços. "Houve uma euforia em 2012, principalmente no começo do ano, mas essa euforia já acabou", diz. "Por exemplo: uma construtora fez um lançamento. Ela fez um cálculo, e o preço que ela ofereceu estava dentro dos padrões. Se ela vende tudo muito rápido, vai notar que poderia ter cobrado valores maiores. Isso cria uma expectativa para o próximo lançamento, que já deve vir mais caro, e assim sucessivamente. Foi o que ocorreu. Mas agora o ritmo de venda está menor, e os preços estão se estabilizando", explica Dourado.

Ele desmistifica as especulações acerca do impacto da Copa do Mundo no mercado, sobretudo na região do Castelão. "Houve uma influência, mas agora que estamos perto do evento, percebemos que muito era especulação. Os preços por lá já estão diminuindo", conta, lembrando que a Lei de uso e ocupação do solo naquela área também impediu novas construções por limitar a quantidade de apartamentos dos prédios novos.

VICTOR XIMENES
REPÓRTER 
Fonte: Diário do Nordeste 
 

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