2013 será de retomada dos lançamentos

O setor segue otimista e a perspectiva é que haja uma maior velocidade na análise e aprovação dos projetos pela Seuma

Passado o "boom" imobiliário dos anos 2010 e 2011, superada a fase de "maturação" dos negócios em 2012, - período marcado pela redução da velocidade de vendas e pela readequação do setor, inclusive com o fim de algumas parcerias, - a construção civil busca retomar o ritmo dos negócios este ano e já sinaliza com uma série de novos lançamentos imobiliários.

Conforme empresários do setor, novos empreendimentos serão lançados, porém, de forma moderada, seguindo a demanda do mercado. Eles também devem focar as vendas para o próprio morador, e não para investidores FOTO: FABIANE DE PAULA


Com um estoque de projetos da ordem de R$ 4 bilhões, o equivalente a cerca de 200 prédios residenciais e comerciais em carteira ou aguardando liberação de licenciamento ambiental, as construtoras correm agora para quebrar os entraves burocráticos e garantir a formação de mão de obra qualificada.

"2013 será o ano da retomada dos lançamentos (imobiliários)", sinaliza o presidente da Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon-CE), Marcos Novaes. Segundo ele, o ano passado foi marcado pela paralisação de vários empreendimentos, que estiveram "represados" nos órgãos de licenciamento da Prefeitura de Fortaleza.

Projetos em carteira

"Temos R$ 4 bilhões em projetos, parados, cerca de 200 prédios. Isso representa milhares de empregos e R$ 280 milhões em ICMS", destacou Novaes. Conforme disse, com a nova administração municipal, a perspectiva é de maior velocidade nas análises e aprovações dos projetos, para que estes saiam efetivamente do papel para o canteiro de obras. "Os processos não fluem, mas a Seuma (Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza) está mapeando todos os processos", disse Novaes.

A expectativa dele é que os prazos de liberação dos projetos sejam reduzidos dos atuais um ano e meio, para seis meses, no máximo. "Em Curitiba, são três meses", acrescentou o executivo da Coopercon. Diante dos entraves, a titular da Seuma, Águeda Muniz, já determinou que a meta da pasta é zerar o estoque de 800 alvarás pendentes até o fim de 2013. Muitos processos, porém, ainda apresentam pendências de documentação.

Foco no morador

Para ele, contudo, os lançamentos ocorrerão, mas de forma moderada. "Precisamos ter o cuidado de balancear a oferta com a procura para não incharmos o mercado", defende Novaes. "Os lançamentos ocorrerão, mas à medida em que houver a demanda", corrobora o diretor de operações na Construtora Mota Machado, Emanuel Capistrano.

Para ele, há de haver prudência nas vendas como forma de evitar o que ocorreu no passado recente. Conforme explicou, durante o "boom" imobiliário, vários empreendimentos foram vendidos a "toque de caixa", muitos em apenas 24 horas, para "investidores", que, de olho no aquecimento da economia, adquiriam vários imóveis na planta em um mês, e os anunciavam à revenda no mês seguinte, transformando-se em concorrentes das próprias construtoras.

"Muitos investidores ganharam dinheiro, mas muitos não venderam, não pagaram as parcelas futuras e retornaram com os imóveis às construtoras. Houve muito distrato", revelou o diretor de Operações. Diante do ocorrido, acrescentou, "nosso foco agora é vender direto para o inquilino para o próprio morador", explica Capistrano.

Estoque

4 bilhões de reais é o valor estimado pela Coopercon-CE, para os 200 empreendimentos imobiliários que aguardam liberação de alvarás na Seuma.

Parceria à capacitação

Com déficit anunciado de cerca de 15 mil trabalhadores na construção civil e com retomada de novos lançamentos imobiliários previstos para este ano, a Coopercon-CE e a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS)abrem nova frente para capacitação de mão de obra qualificada para o setor e inserção de jovens e adultos no mercado de trabalho formal. Nesta semana, o titular da STDS, Evandro Leitão e o presidente da Coopercon, Marcos Novaes, assinaram convênio para adaptação do Centro de Inclusão Tecnológica e Social (CITS), do bairro José Walter, em um centro vocacional para formação de mil novos operários, por ano - carpinteiros, eletricistas, encanadores, pintores, pedreiros e demais artífices.

"Essa parceria é um marco que irá integrar, definitivamente as políticas sociais às políticas do trabalho, emprego e renda", destacou Evandro Leitão, ao assinar o convênio. "Para nós é importante termos uma salvaguarda no poder público. Essa parceria com a STDS é um exemplo a ser seguido", observou Novaes.

"Queremos formar 1.000 novos profissionais por ano", sinalizou Marcos Novaes, ao garantir que os treinandos já sairão do CITS empregados. Ele ressalta, porém, que para serem aprovados os alunos terão de comprovar participação mínima de 90% nas aulas e ter média final oito.

Os primeiros cursos serão iniciados em 30 dias. Na adaptação do prédio do CITS serão investidos R$ 1,65 milhão, sendo R$ 150 mil da STDS, e o restante financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). 


Fonte: Diário do Nordeste
 

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