Corretor de Imóveis: a profissão está em alta! Mas, ainda é preciso focar em qualificação

O aquecimento do mercado imobiliário nos últimos anos, com o aumento da oferta de empreendimentos e a ampliação do acesso ao crédito, abriu um grande espaço para os corretores de imóveis no Brasil. A profissão está em alta, mas é preciso saber como se dar bem para se consolidar no mercado.

Paulo Angelim, sócio-diretor da VivA Imóveis, acredita que existem mais corretores do que o mercado cearense pede. “Houve uma saturação por conta do boom imobiliário de 2010 e 2011. É consenso que em 2012 vai começar um processo de depuração, e muita gente que só veio para aproveitar a onda deve sair”, afirma.

Já o presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Ceará (Sindimóveis-CE), José Maria Cavalcante, diz que existe uma grande procura por parte de construtoras e imobiliárias por conta da preferência que os cearenses têm de trabalhar como corretores autônomos. “A nossa cultura faz com que os corretores escolham trabalhar como autônomos. Por isso que aumenta a demanda nas empresas do setor”, diz.

QUALIFICAÇÃO
“Existe demanda dentro de qualquer segmento de crescimento. O que falta é mais preparação dos novos corretores”, diz André Melo, coordenador de vendas da A Predial Imobiliária. Ele acredita ainda ser necessário que os cursos para corretor de imóveis tenham uma perspectiva de mercado e oriente melhor os alunos. “Muitas vezes, ao sair do curso, o profissional fica sem saber qual segmento seguir. Fica perdido”, analisa.

CPT - Centro de Produções Técnicas
André aponta algumas falhas nos cursos, como a falta de ensino mais apurado sobre documentação cartorária, ética, comportamento e cultura do consumidor, além do pouco tempo de estágio exigido. Hoje, embora para conseguir inscrição no Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Ceará (Creci-CE), e exercer legalmente a profissão, seja exigido apenas ensino médio completo e o Curso Técnico em Transação Imobiliária (TTI) – com duração de oito meses e mais dois de estágio – o mercado quer mais.

A competitividade natural do setor tem determinado a maior procura por qualificação e as instituições de Educação Superior enxergam essa demanda: atualmente, oito instituições, cadastradas pelo Ministério da Educação, ofertam no Ceará o curso superior em Negócios Imobiliários.

“O mercado não quer mais só aquele corretor que tenha simplesmente o curso técnico. Ele tem que entender de financiamento, documentação e avaliação imobiliária, estudo de viabilidade econômica. O profissional tem que entender que precisa se qualificar para atender as exigências do mercado”, diz Roufman Rolim, diretor do Creci-CE.

Daí a importância do interesse do profissional em investir numa continuidade da formação. “As mudanças são rápidas. Se o profissional não acompanhar ele ficará defasado”, diz José Maria, do Sindimóveis. Segundo Angelim, da VivA, é fundamental que essa formação seja reforçada pelas próprias imobiliárias para complementar o embasamento teórico dos cursos. “Nós temos treinamento semanal em técnicas e estratégias de vendas, inclusive com teatro de vendas”, conta.

O QUE ATRAI
Com as vendas a todo vapor, a lucratividade financeira está inerente à atividade, mas é preciso lembrar que, no fim do mês, o salário equivale ao desempenho de cada profissional – já que o salário do corretor depende do número de negócios fechados. A expectativa por uma boa remuneração, supostamente rápida e fácil, é apontada pelos profissionais do ramo como o maior atrativo do setor.

“Corretor de imóveis é a profissão para se ganhar dinheiro. Porque, trabalhando direito, ganha-se mais do que médico ou juiz”, destaca Roufman. “As pessoas, porém, só enxergam que está fácil a abertura de financiamento e não vêem todo o trabalho que existe por traz e depois disso”, diz André Melo, da A Predial.

O presidente do Sindimóveis diz que a profissão é procurada pelas possibilidades que oferece. “Quem gosta de vender, de conversar e tem muitos contatos vê um mercado com um leque muito grande de opções. Pode ser corretor de loteamentos, lançamentos, novos, velhos. São muitas chances e sempre tem negócio. Mas tem que saber o que se faz”. Ele afirma que isso chama a atenção e aponta que, nas salas dos cursos técnicos, cerca de 60% dos alunos já tem curso superior e vem de outras profissões.

Angelim, por sua vez, afirma que muitos novos corretores entraram no mercado por incentivo de clientes familiares ou amigos, que usavam o mercado como aplicação financeira. Mas, com a saída destes clientes do mercado, os chamados especuladores, os novos corretores vão ter de exercitar a verdadeira corretagem, indo à campo para buscar novos clientes. “É nesta hora que muitos chegarão à conclusão se realmente têm ou não vocação para a profissão, que é árdua, remunera bem, mas apenas aos extremamente dedicados”, diz. “Vendas não é para quem quer, mas para quem aguenta”, completa.

“O bom profissional é obrigado a conhecer bem o mercado imobiliário e o imóvel que está vendendo, além de entender que é preciso ter aprendizado continuado e ser ético acima de tudo”, sintetiza Roufman. Bem preparado, o corretor chega ao mercado bem treinado para tirar proveito dos aspectos positivos da profissão e encarar os negativos: muitos nãos, dias/semanas/meses de indecisões dos clientes, horas de espera, entre outras intempéries.

Fonte: O estado ce
 

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