50% dos novos imóveis no ceará são fora de áreas nobres

Atualmente, os imóveis de alto valor agregado são os mais demandados nessas localizações

Parangaba, Maraponga, Messejana, Guararapes, Dias Macedo, Jereissati. Os olhares do mercado imobiliário se voltam para bairros mais distantes do grande circuito de Fortaleza. De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), mais de 50% dos novos empreendimentos na Capital cearense estão concentrados em regiões mais afastadas do centro da cidade, longe também das chamadas áreas nobres. E, ao contrário do que ocorria no passado, são imóveis de alto valor agregado os mais demandados nessas localizações.

Conforme uma pesquisa realizada pelo Sinduscon-CE, os bairros Parangaba, Jereissati III e Guararapes respondem, juntos, por mais de um quarto do somatório das vendas de imóveis nos três primeiros meses de 2013 FOTO: ALCIDES FREIRE

Pesquisa do Sindicato relativa à percentagem de participação dos bairros no total de unidades vendidas no primeiro trimestre de 2013 em Fortaleza e na Região Metropolitana, revela que três bairros - Parangaba, Jereissati III e Guararapes - responderam, juntos, por 25,56 pontos percentuais ou mais de um quarto do somatório das vendas de imóveis nos três primeiros meses desse ano.

Sozinho, o Jereissati III concentrou 9,58% do total vendido, com o metro quadrado do imóvel nesse bairro custando em torno de R$ 2,05 mil. A Parangaba participou com 8,33% das vendas no mesmo período, apesar dos imóveis nessa região custarem quase o dobro, já que o metro quadrado no bairro sai por aproximadamente R$ 4,02 mil.

O Guararapes, localizado depois do centro de eventos entre, as Avenidas Rogaciano Leite e Washington Soares, respondeu por 7,74% das unidades comercializadas, mesmo ao custo de R$ 5,54 mil por metro quadrado - valor superior, inclusive, ao preço cobrado para morar no Bairro de Fátima (R$ 5,28 mil/m²) - uma das áreas mais tradicionais da Capital cearense.

Poder aquisitivo

Para André Montenegro, vice-presidente da área imobiliária do Sinduscon-CE, a procura por imóveis residenciais de padrão elevado na periferia está relacionado a elevação do poder aquisitivo da população, que tem buscado mais conforto, espaço, lazer e qualidade de vida.

"As pessoas de maior poder aquisitivo não moravam em bairros distantes porque não havia imóveis à altura delas. Mesmo quando melhoram a renda, muitos querem permanecer em seus bairros de origem, na periferia. Recentemente, em um empreendimento lançado na Maraponga, em vez de uma, foram feitas quatro coberturas. E elas foram vendidas primeiro dos que os outros apartamentos. Então, se tiver imóvel de maior valor agregado nesses bairros, vende mesmo", afirma.


Segundo Montenegro, regiões próximas à Avenida Mister Hull ou localizadas nas imediações do Jóquei Clube e da Parangaba, sem falar na área do entorno do Castelão, que despontou com o Passaré e explodiu no mercado imobiliário devido à participação de Fortaleza na Copa e à proximidade com o estádio, deixaram de ser foco exclusivo de habitações populares para receberem imóveis de luxo.

Qualidade de vida

"Morar na periferia, hoje, pode significar mais qualidade de vida. Essas regiões têm supermercados, lojas de móveis, shopping centers, colégios bons e serviços de toda qualidade. Os bairros estão ganhando vida própria. Para nós (construtores), eles abrem um maior leque de investimentos porque passamos a investir em vários bairros", avalia André Montenegro.

Infraestrutura

O vice-presidente do Sinduscon-CE, porém, se queixa da falta de infraestrutura em alguns bairros mais afastados, o que costuma gerar transtornos às construtoras. "Esse é um gargalo que dificulta a chegada de mais investimentos. Em muitos casos, as construções estão chegando antes da infraestrutura. Falta energia, água, esgoto, urbanização. Convivemos com atrasos na ligação água e energia, apesar da reclamações recorrentes das construtoras. Entendemos que a infraestrutura deveria chegar primeiro", frisa.

Mesmo com o entrave estrutural, André Montenegro garante que a busca por terrenos na periferia, por parte das construtoras, não é mais tendência. "É realidade. Os bairros estão pegando fogo em termos de investimento imobiliário", destaca.

ÂNGELA CAVALCANTE
REPÓRTER

Com mercado favorável, empresas mudam foco

A Diagonal Engenharia é exemplo da migração dos investimentos imobiliários para a periferia da Capital cearense. Há 30 anos no mercado, até nove anos atrás seus empreendimentos imobiliários de alto padrão se concentravam em áreas nobres da cidade e bem mais centrais. "Passamos a investir em imóveis na periferia há oito anos", recorda Reginaldo Parente, diretor de Engenharia da Diagonal, segundo quem a mudança de foco não é exclusividade de sua empresa, mas foi acompanhada por todo o mercado devido ao cenário favorável.

"Isso está diretamente relacionado a dois fatores. Primeiro, à ascensão evidente das classes C e D, que melhoraram o poder aquisitivo nos últimos anos, e também ao incentivo do governo federal, que possibilitou financiamentos com juros mais baratos para o setor", observa.

Conforme o engenheiro, a partir de então, a prestação dos imóveis coube no bolso da população. "Hoje, um mestre de obras nosso ganha em torno de R$ 5 mil. E com um financiamento de longo prazo, que hoje vai até 30 anos, e juros baixos, ele pode pagar uma prestação de R$ 600,00 com tranquilidade. Então, todo o mercado se abriu para esse público", explica.

Residenciais

Reginaldo Parente lembra que, em 2013, a Diagonal já entregou empreendimentos residenciais nos bairros de Messejana, Jacarecanga, Cambeba e Parangaba. "Em Messejana, entregamos, no mês passado, 480 unidades no condomínio Vila dos Sonhos, com piscina, playground, paisagismo e muitos equipamentos nas áreas comuns".

No Jacarecanga, a empresa construiu quatro torres de apartamentos, totalizando 400 unidades no residencial Navegantes. No Cambeba, a Diagonal está na quarta etapa de empreendimentos com imóveis mais sofisticados - Terraços.

Outro bairro que vem recebendo investimentos da empresa é a Parangaba. "Estamos com cinco empreendimentos ao lado do Hospital da Mulher e do shopping. Já lançamos o primeiro e vamos lançar outro no segundo semestre", afirma o diretor de Engenharia da Diagonal.

Fonte: Diário do Nordeste
 

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