Planeje para entrar na casa própria em 2014

Repórter: Ângela Cavalcante

Por ser necessário um investimento razoável, o imóvel próprio exige planejamento e poupança

O fim do ano está chegando e com ele um misto de sensações tomam conta das pessoas. Além do clássico "espírito natalino", esse é um período em que fazemos um balanço dos planos realizados ou não e elegemos as pendências que irão para a lista de prioridades do novo ano. O sonho de conquistar a casa própria ocupa, em 2014, o topo da lista para muitas famílias que ainda não conseguiram concretizar esse objetivo. Conforme levantamento divulgado em novembro pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o déficit habitacional na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) chegou a 120,1 mil domicílios em 2012. Em todo o Estado, o estudo indica a carência de 242.268 habitações, embora estimativas do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE) apontem para um número bem maior, em torno de 550 mil domicílios no Ceará.

Orientação

Para quem planeja sair dessas estatísticas em 2014, trocando o aluguel pela prestação do imóvel próprio, a dica é pesquisar e investir no planejamento financeiro para, então, aproveitar o momento favorável do mercado imobiliário. É o que recomenda o diretor do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), Armando Cavalcante.

"A hora de comprar (imóveis) é essa porque o mercado está ofertando e há facilidade para financiar. Tivemos um período de quatro meses de redução na velocidade de vendas, entre julho e novembro de 2013, que fez com que as empresas ficassem com um estoque maior de imóveis. Então agora é a hora de desovar esse estoque", alerta.

Antes de comprar, porém, ele lembra que é preciso ter alguns cuidados. "O primeiro deles é verificar se a obra possui memorial de incorporação e se o projeto está previamente aprovado pela Prefeitura. Caso contrário, o imóvel não pode ser comercializado", afirma.

É importante também pesquisar se a empresa (construtora) é idônea, se costuma entregar seus imóveis no prazo combinado, se o projeto está de acordo com as normas de construção e se a construtora não possui nenhum protesto. "Quando vamos comprar um imóvel, quem vende ou financia pede toda nossa documentação. Nós também devemos ver a documentação da construtora antes de fechar negócio de compra do imóvel".

A qualidade da construção é outro ponto fundamental que precisa ser observado, segundo Cavalcante. "Assim o comprador evita receber um imóvel com problemas de vazamento, por exemplo, entre outras surpresas desagradáveis".

Mesmo com a política de elevação da taxa de juros para conter a inflação, ele reitera que o momento continua favorável para financiar um imóvel no Brasil. "A facilidade para obter crédito e os planos de financiamento da Caixa são ótimos. E hoje até os bancos particulares estão retirando os acréscimos dos financiamentos para se manterem competitivos", argumenta.

Organização

Mas para conquistar a casa própria em 2014, é preciso começar o ano organizando as finanças. O presidente da Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências (Amspa), Marco Aurélio Luz, lembra que "no momento da aquisição de um bem é fundamental fazer um bom planejamento, pois o pagamento do imóvel irá comprometer a renda da família por muitos anos".

Para ajudar esse planejamento financeiro, a Associação sugere em primeiro lugar economizar parte de todo o dinheiro ganho. "É importante colocar todas as despesas no papel e, junto com a família, definir quais despesas podem ser cortadas. O dinheiro poupado vai ser fundamental para dar uma boa entrada ao adquirir a casa própria. O ideal é quitar, pelo menos, 30% do valor total do bem na hora de fechar o contrato". Guardar parte do 13º salário é outra deixa. O dinheiro extra, junto com as economias, pode ser útil na diminuição do valor do financiamento. Antes de fechar o negócio, é importante verificar qual o teto do valor das prestações que se pode pagar. Lembrando que não se deve comprometer mais do que 30% da renda familiar. O simulador do site da Caixa Econômica também ajudará nos cálculos. Lá é possível estimar como ficaria o financiamento se fosse hoje. Isso dará uma ideia de como ficará o orçamento familiar.

Se possível, por precaução, é bom ter cerca de 50% do valor do imóvel depositado no FGTS, poupança ou em outras aplicações para se precaver contra desemprego, diminuição de renda, problemas de saúde na família, entre outras dificuldades imprevistas, que podem comprometer o pagamento das prestações.

Outra dica é reservar dinheiro para pagar despesas, como o IPTU do imóvel, o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), o registro da escritura e as certidões emitidas pelo cartório, todas cobradas de acordo com o valor do bem. Depois, é preciso ficar alerta na hora da escolha do tipo de financiamento. Nessa etapa é importante fazer cálculos e comparar as linhas de crédito imobiliário disponíveis no mercado para garantir que poderá arcar as prestações. Hoje as modalidades para financiar a casa própria são pelo sistema de consórcio, Sistema Financeiro da Habitação (SFH), Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) ou direto com a construtora.

Juros

As taxas de juros também merecem atenção. Quando for comprar, é bom optar por contratos com uma taxa de juros fixa mais a Taxa Referencial (TR), ou seja, pós-fixada e pelas correções feitas pela tabela com parcelas decrescentes.


Fonte: Diário do Nordeste 
 

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