Um ano saudável para o mercado imobiliário, segundo especialistas

Apesar das incertezas em relação ao comportamento do mercado em 2013, especialistas do setor imobiliário avaliam que mesmo com alguns “sustos” na economia, como o risco de alta da inflação, o ano encerra de forma saudável. A velocidade de vendas não segue o mesmo ritmo dos outros anos, contudo, o mercado deu sinais de estabilização.

De acordo com o índice FipeZap, indicador que acompanha a variação do preço do metro quadrado dos imóveis anunciados para venda em 16 cidades brasileiras, Fortaleza ocupa a sétima colocação entre as cidades analisadas, com o preço médio de R$ 5.377. O valor, conforme especialistas do setor, é puxado pela alta dos insumos, da mão de obras e dos terrenos, dentre outros fatores.

Mesmo listada entre as capitais com metro quadrado mais valorizado, o ano foi de acomodação para o mercado imobiliário de Fortaleza, na análise do presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Roberto Sérgio. “2013 foi muito saudável para o mercado, com crescimento constante e sem desaquecimento. Vale destacar, porém, que o setor de obras públicas apareceu mais, pois a Prefeitura está conseguindo viabilizar financiamentos para obras que a cidade precisa”, destaca.

Paulo Angelim, presidente da Câmara Setorial da Indústria Imobiliária do Ceará, reitera a estabilização do mercado em 2013, lembrando que 2012 foi um ano nervoso. Devido a condições externas, muitos construtores não conseguiram lançar seus empreendimentos. O contexto forçado do ano passado, todavia, beneficiou o mercado, livrando-o do problema do excesso de ofertas.

“Estávamos a 170 km/h. Isso era muito perigoso. Depois caímos para 110 km/h que é uma situação agradável. Foi necessário esse ajuste. Tínhamos diversos problemas como os insumos e a mão de obra. O mercado estava andando muito mais rápido do que o setor tinha capacidade para oferecer.  Agora, o mercado está buscando o equilíbrio entre oferta e demanda. Não é bom para nenhum setor da economia quando se tem mais demanda do que oferta”, argumenta.

TRANQUILIDADE

A decisão de muitas construtoras em aguardar a conclusão de outras obras iniciadas antes de lançar novos projetos resultou em um mercado mais calmo em 2013. Com estoque ampliado, o primeiro semestre deste ano reverteu em vendas e movimentou 1,62 bilhões de reais para o Estado, segundo dados do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis do Ceará (Secovi).

Conforme o balanço do Secovi, no primeiro semestre de 2013, foram lançadas cerca de 3.250 novas unidades contra 2.808 do ano anterior. No entanto, por causa do estoque de lançamentos de 2012, foram vendidos nos primeiros meses do ano, aproximadamente, 3.814 unidades, contra 3,075 do primeiro semestre de 2012.

BONS RESULTADOS

A Moura Dubeux comemora o desempenho da empresa no Ceará em 2013. Para Fernando Bezerra, gerente comercial da construtora no Estado, os resultados dos lançamentos de 2013 superaram as expectativas. “A Moura Dubeux acredita muito no mercado do Nordeste e o mercado imobiliário cearense só superou nossas expectativas. Hoje, o Ceará é a segunda praça da MD, só perdemos para Recife. Atualmente, temos 16 empreendimentos em Fortaleza e o grande destaque de 2013 foi o lançamento dos três primeiros empreendimentos do Evolution Central Park, junto com a Otoch Empreendimentos, que se mostrou um sucesso, pois chegamos a 85% do empreendimento vendido”, avalia Bezerra.

A presidente do Sindicato dos Engenheiros do Ceará (Senge-CE), Thereza Neumann, ressalta que a construção de novas unidades habitacionais superou o déficit de habitação do Estado. “Diante dos dados estatísticos e de tudo que foi veiculado na mídia em 2013, através de depoimentos de represen-tantes de entidades e investidores da área imobiliária, construtoras e incorporadoras, o que podemos verificar é que o mercado imobiliário cearense apresentou produção de unidade maior que a do déficit habitacional do Estado, tendo crescimento superior aos índices nacionais”, pontua.

Dante Bonorandi, diretor da Mercurius Engenharia, analisa que o ano foi muito bom para a construtora, principalmente, com relação ao mercado de eólicas. “Este ano não foi ascendente comparado a 2012. Contudo, para nós da Mercurius, foi melhor. Trabalhamos muito. No mercado de eólicas, por exemplo, 2013 foi um ano de expansão. Tivemos leilões e muitas empresas participaram. Esse mercado cada vez mais se consolida como fonte de energia de base muito importante. O Nordeste, pela condição dos ventos, segue em franca expansão. No campo particular, a Mercurius continua atuante, não tão forte como gostaria, por completa falta de tempo”, revela.

Por atuar em negociações nas diversas fases das obras, desde a estrutura até o acabamento final, a Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon-CE) apresentou um aumento de 12% em volume de negociações comparando com 2012, segundo o presidente da entidade, Marcos Novaes. “O fato de no ano de 2013 o mercado apresentar-se comedido em novos lançamentos, outras obras lançadas estavam em franca atividade. Sendo assim, tivemos aumento no volume de negociações”, afirma Novaes.

CONTRAPONTO

Com ressalvas, o diretor do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), Armando Cavalcante, analisa o comportamento do mercado imobiliário em 2013. “Nós esperávamos um resultado muito superior ao que está chegando, mas não dá para reclamar muito, porque o resultado pode ser considerado bom, caso seja observado que a economia brasileira  está com reação muito pequena”, alerta. Ele reconhece que houve uma reação nos meses de novembro e de dezembro, mas que não atingiu as expectativas do que estava previsto.

Segundo ele, o resultado das vendas de imóveis na capital no final do ano ainda está dentro de previsão dos pessimistas, mas não é o ideal, porque os otimistas queriam muito mais. O crescimento esperado, segundo ele, era de 10 ou mais por cento, porém, o máximo que vai alcançar será na faixa de oito por cento. Cavalcante afirma que esse índice vai agradar a um segmento e desagradar a outro. O diretor do Cofeci destaca, ainda, que 2013 deixará para o próximo ano muitos negócios abertos.

EM ALTA

A presidente do Senge-CE, Thereza Neumann, afirma que 2013 trouxe como pontos positivos fatores que agregam valores às produções como belas paisagens, clima agradável o ano todo, terrenos e loteamentos ainda disponíveis aliados a projetos governamentais. Thereza destaca ainda o aumento do crédito concedido pelos bancos e investimentos em infraestrutura local, além do cenário favorável de otimismo dos compradores.     

Na análise do presidente do Sinduscon-CE, Roberto Sérgio, o retorno das obras públicas é um dos grandes ganhos de 2013. “O reaparecimento da Prefeitura como executor de obras foi muito importante para o mercado. A cidade passou quase oito anos sem obras e as poucas que tiveram não foram concluídas. Sem dúvidas, esse retorno da Prefeitura é um dos pontos altos de 2013”, aponta Roberto Sérgio.

Segundo Marcos Novaes, presidente da Coopercon, entre os pontos positivos do ano destaca-se a entrada no mercado da Coperloc*, na locação de balancins para execução das fachadas dos edifícios, trazendo ao mercado a mais alta tecnologia em segurança para este tipo de equipamento. Ele também aponta a formação de mão de obra especializada para a construção civil, suprindo uma carente lacuna no mercado. Novaes ressalta, ainda, a parceria com instituições financeiras, que viabilizou o crédito para financiamento da produção, podendo com isso garantir a continuidade dos 33 mil empregos nos 353 canteiros de obras das 92 construtoras que fazem parte da Coopercon.

A Coperloc, locadora de balancins, possui 16 grandes construtoras como clientes fixos e durante 2013 esteve presente em mais de 23 obras de clientes cooperados e não cooperados.

EM BAIXA

Para Roberto Sérgio, a alta nos preços dos materiais de construção e o reajuste acima da inflação para a mão de obra do setor impactaram o mercado. O presidente do Sinduscon-CE antecipa que em 2014 as discussões em torno do reajuste salarial serão acirradas, pois segundo ele, os sindicatos dos trabalhadores acreditam que é possível reproduzir o aumento salarial com o mesmo índice de 2013.  “A expectativa dos sindicatos é conseguir o mesmo reajuste de 2013, que foi de 11%. Mas, isso não é possível. Esse reajuste foi bem acima da inflação. Isso é preocupante, porque não vai ser possível repetir”, alerta.

Na opinião de Thereza Neumann, os altos valores de imóveis nas áreas mais adensadas, que seriam as mais adequadas para a cidade e para a mobilidade, dificultam o atingimento das metas em quantidade de produção do programa Minha Casa, Minha Vida, no Ceará.

A inflação em 2013 assustou o mercado, avalia Dante Bonorandi. “Além disso, a selic cresceu muito e continua no viés de alta. Isso fez a indústria pisar nos freios, dificultando a expansão do mercado. O governo acochou muito o lado monetário, mas está tentando um equilíbrio”, afirma.

Fonte: O estado ce
 

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