Mercado estabilizado e imóveis compactos

A euforia que tomou conta do mercado imobiliário cearense, entre 2010 e 2011, cedeu espaço para a moderação na hora da compra. Empreendimentos vendidos em tempo recorde, em apenas um dia, ficaram no passado. O consumidor colocou o pé no freio e o mercado adotou um comportamento mais conservador. Para especialistas, esse ritmo é positivo e coloca o setor na esteira do crescimento equilibrado. Na análise de Paulo Angelim, presidente da Câmara Setorial da Indústria Imobiliária do Ceará, 2014 será igual a 2013 com relação à velocidade de vendas. “Estamos entrando na estabilidade de vendas, no equilíbrio entre oferta e demanda”, explica.

Em novembro, o Comitê de Mercado, formado por professores e pesquisadores do Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (NRE-Poli-USP) e executivos do mercado imobiliário, discutiu as perspectivas do mercado para 2014.  Entre as ponderações, o Comitê concluiu que a alta nos preços dos lançamentos residenciais deve seguir o mesmo compasso de 2013, com ressalvas para algumas cidades como Manaus, Salvador e Vitória, que estão com estoque de imóveis maiores do que a demanda e devem apresentar queda nos preços.

IMÓVEIS COMPACTOS

Outro ponto sinalizado pelo Comitê de Mercado é o perfil dos imóveis, que podem ficar menores nos centros urbanos. Segundo 97% dos consultados para a elaboração do relatório, o perfil dos imóveis lançados em 2014 devem manter as mesmas características apuradas em 2013.  A alternativa atende a uma necessidade do mercado de ajustar o preço do imóvel à capacidade de compra do consumidor.

“As construtoras precisam diminuir o preço médio da unidade, e usam o recurso da diminuição do espaço para encaixar o imóvel nas condições de pagamento do cliente, que não teve seu salário e rendimentos acompanhando o incremento dos preços imobiliários. Não é que seja bom ou ruim para o mercado, é necessário. Uma questão de adaptação diante da nova realidade de preços”, detalha Paulo Angelim.

De acordo com o balanço do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis do Ceará (Secovi), a participação das unidades vendidas de apartamentos entre 46m2 e 65m2 no primeiro semestre de 2013 foi de 40% (veja tabela 1), representando uma fatia significativa do mercado. A participação desse perfil de imóveis sobe para 48,3% quando se trata de unidades lançadas (veja tabela 2).

TERRENOS E INSUMOS

No geral, conforme o relatório do Comitê de Mercado, quando se fala dos fatores que mais influenciam os preços dos imóveis em 2014, o valor dos terrenos deve continuar a impactar na formação dos preços. O relatório aponta ainda custos de construção, custos do capital investido (efeito da taxa referencial de juros para cima), margens de segurança na formação dos preços ofertados e crescimento das margens de resultado dos empreendedores.

Paulo Angelim acredita que o valor dos terrenos continuará a impactar no custo dos empreendimentos, porém, sinaliza com uma possível desaceleração neste aspecto.  “Infelizmente, sim, o valor dos terrenos continuará a influenciar, mas em menor escala. Os terrenos já começam dar sinais de queda na ace-leração dos preços”, pondera Angelim.
Com relação aos insumos, Marcos Novaes, presidente da Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon-CE), estima um crescimento de 15% no volume de insumos a serem negociados em 2014, em comparação a 2013.

PLANEJAMENTO

Na previsão do vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro, o cenário de 2014 é previsível, assim como foi 2013. O mercado, durante o último ano, funcionou como um filtro, separando as empresas e profissionais que se ajustaram à dinâmica do setor. “Se saiu bem quem fez o dever de casa. As empresas que investiram em engenharia de produção e pesquisa de mercado, antes de lançar seus empreendimentos, permanecerão no mercado. O mercado sempre foi assim, mas a empolgação das vendas, nos anos anteriores, cegou um pouco o planejamento das empresas”, destaca Montenegro.

Segundo ele, muitas empresas não se sustentam, porque não investem em planejamento, detectando o que é real e sustentável. “Temos que investir em engenharia, vender sem aquela empolgação de antes e com planejamento. O nosso setor é forte e é referência no cenário nacional. Este ano vai ser extremamente competitivo, então temos que incrementar na profissionalização”, prevê Montenegro.

TECNOLOGIA

Numa comparação entre um empreendimento entregue em 2013 com outro prédio cinco anos mais velho, a diferença é significativa. Em cinco anos, a tecnologia avançou bastante e é uma ferramenta ágil, exigindo do construtor atenção redobrada. Segundo Marcos Novaes, a Coopercon-CE, através do Inovacon, braço tecnológico da coo-perativa, irá estudar, em 2014, quais os sistemas construtivos mais adequados ao atendimento da nova Norma de Desempenho aplicada à Construção Civil, que estabelece índices de performance a serem alcançados pelas edificações em ruído, resistência ao fogo; iluminação, térmico, dentre outros aspectos.

PERSPECTIVA

Para Dante Bonorandi, diretor da Mercurius Engenharia, as perspectivas para 2014 são boas. Bonorandi acredita que não haverá retração no mercado. “Se não tivermos um ano melhor do que 2013, pior não será, ou seja, vislumbramos um crescimento igual ou superior em 2014. Se não tivermos problemas externos, 2014 será um ano muito bom para o mercado como um todo”, argumenta.

Já Paulo Angelim chama atenção para o filtro que o mercado exigirá frente a forte competitividade e o período de estabilização do setor. “Nossa expectativa para 2014 é de estabilidade e depuração no mercado. Somente ficarão os bons, tanto entre incorporadores como imobiliárias e corretores”, aponta Angelim.

Roberto Sérgio, presidente do Sinduscon-CE, acompanha com preocupação a alta nos preços dos materiais de construção e o reajuste acima da inflação para a mão de obra do setor. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil antecipa que, em 2014, as discussões em torno do reajuste salarial serão acirradas, pois segundo ele, os sindicatos dos trabalhadores acreditam que é possível reproduzir o aumento salarial com o mesmo índice de 2013.  “A expectativa dos sindicatos é conseguir o mesmo reajuste de 2013, que foi de 11%. Mas, isso não é possível. Esse reajuste foi bem acima da inflação. Isso é preocupante, porque não vai ser possível repetir”, alerta.

Na opinião de Marcos Novaes, as expectativas para 2014 são positivas, pois vários lançamentos que estavam represados estão sendo liberados. “Além disso, a concepção dos atuais projetos atendem às novas expectativas dos clientes, o que torna atrativa a compra de um novo imóvel”, explica.

Fonte: O Estado ce
 

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