O toque feminino na construção

O mercado está em constante evolução. Há 20 anos, uma mulher trabalhando em um canteiro de obras ou até como mestre de obras podia ser situação encarada como exceção. O contexto, hoje, é outro. Ainda não é um setor proporcional na questão do gênero, porém, a participação feminina cresceu 65% na última década, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho.

Para Graça Dias, diretora presidente da Dias de Sousa Construções, o comportamento dinâmico do mercado atrai o público feminino, que enxerga muitas oportunidades e possibilidades de traba-lho. “Há muito tempo as mulheres têm se profissionalizado e são elas quem esco-lhem onde querem atuar. Assim não seria diferente para a construção civil”, reflete.

Na avaliação de Cynthia Janne, coordenadora de Gestão de Pessoas das Obras da Marquise Incorporações, uma necessidade na economia permitiu o setor da construção civil a enxergar o potencial das mulheres. “Nas obras da Marquise Incorporações, temos cerca de 70 mulheres trabalhando atualmente, mas nossa meta é contratar mais colaboradoras, de forma que, em pouco tempo, as mulheres representem 30% da mão de obra atuante nos canteiros do grupo”, afirma.

DIFERENCIAL

Segundo Andréa Coelho, superintendente de Obras e Incorporação do Grupo Marquise, nos últimos anos o mercado da construção civil tem recebido as mulheres de forma mais tranquila, enxergando-as como mão de obra qualificada para vários serviços, inclusive em cargos de gestão. “Temos objetividade, compromisso e qualidade. Sou muito detalhista. Acho que a gestão feminina é mais atenta aos membros da equipe, enxergando-os como pessoas e não apenas profissionalmente, tendo uma visão holística”, argumenta.

Graça Dias destaca que sua gestão é marcada pela filosofia humanista. “Dedico-me a desenvolver as pessoas para que se tornem líderes e assim possam disseminar minha filosofia dentro da empresa. Todo o trabalho é feito com amor e dedicação e isso eu percebo de perto. Conheço os meus colaboradores e gosto de estar junto a eles no dia a dia. O Projeto social Descobrindo Saberes é um ótimo exemplo disso. O sucesso de qualquer gestão está nas pessoas que você se cerca. A escolha tem que ser certa para que tudo seja um sucesso. Essa é a minha forma de atuar. Os desafios são iguais para todos os setores, mas sempre com conhecimento e liderança”, explica a diretora presidente da Dias de Sousa Construções.

CRESCIMENTO

A escassez de mão de obra qualificada é um de seus principais gargalos da construção civil. Contudo, a crescente participação feminina neste mercado demonstra que as mulheres estão

atentas ao potencial do setor. Conforme Cynthia, o desejo de conquistar a independência financeira, através da realização profissional é um dos principais atrativos do mercado. “Elas querem e na maioria dos casos, precisam, ter uma renda fixa, porque quase todas sustentam suas casas. O setor da construção civil tem oferecido oportu-nidades de trabalho e elas enxergam no setor a oportunidade de trabalharem e obterem renda própria”, destaca.

O aquecimento do setor dos últimos anos, ressalta Andréa, tornou o mercado atraente em diversos aspectos, tanto financeiramente quanto pelo aumento na oferta de vagas. “A escassez de mão de obra também fez com que as construtoras abrissem os olhos para o potencial feminino”, relata.

Herdando o ofício de um tio, a emassadora Antônia da Silva atua na construção civil há 25 anos e pretende se aposentar no setor. “Eu não vou sair da construção civil. Já estou acostumada, trabalhei em várias obras e criei os meus filhos. A minha filha, que tem 11 anos, acha linda a minha profissão. Ela fica admirada quando a levo para olhar os prédios depois de prontos. Ela diz que quer ser engenheira e eu acho ótimo”, comenta Antônia. A operária conta que enfrentou preconceito no início, mas, atualmente mantém bom relacionamento com os colegas de trabalho. “Os meninos me tratam com muito respeito”, conclui.

Programa incentiva a participação feminina nos canteiros de obras

Diante do crescimento da participação feminina na construção civil, a Marquise Incorporações implantou o programa “Mulher Marquise”. Segundo Cynthia Janne, coordenadora de Gestão de Pessoas das Obras da incorporadora, o programa visa fortalecer essa participação através de ações voltadas para a saúde, qualidade de vida, capacitação e qualificação profissional das colaboradoras da empresa, além de formação comportamental e uma maior adaptação das mulheres nos canteiros de obras, que ainda são voltados predominantemente ao público masculino.

Mensalmente, o programa Mulher Marquise vai oferecer palestras com temáticas variadas (saúde, comportamento, qualidade de vida) e cursos voltados para a qualificação profissional, para que as mulheres estejam preparadas para novos desafios.

Na análise de Cynthia, a mulher é cuidadosa e detalhista. “Por isso, o setor da construção civil percebeu que as mulheres fariam um excelente trabalho nas etapas de acabamento fino das obras”, avalia. Além disso, explica Cynthia, as mulheres atuam com excelência nos trabalhos de limpeza e organização dos canteiros, o que faz toda a diferença no resultado final da obra. “Mas sabemos que as mulheres desempenham um bom trabalho em qualquer cargo, tanto que hoje temos colaboradores trabalhando como pedreiras e auxiliares de balança. Agora mesmo estamos promovendo uma de nossas colaboradoras, de servente de obras para encarregada de obras. Em médio prazo, nosso objetivo é ter outras mulheres em cargos de liderança”, revela.

Fonte: O estado ce
 

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