Com mudanças na Caixa, cliente poderá ter dois imóveis financiados ao mesmo tempo

Com as medidas, o banco espera elevar o volume de contratações em 13% neste ano, o equivalente a 64 mil unidades habitacionais a mais

Uma injeção de esperança para o mercado imobiliário. Foi assim que especialistas do segmento avaliaram a medida da Caixa Econômica Federal (CEF) anunciada ontem, aumentando de 50% para 70% a cota de financiamento para os imóveis usados no país. A mudança vale apenas para moradias financiadas com  recursos da caderneta de  poupança. Este teto de empréstimo pode  chegar a até  80% para funcionários públicos.



De acordo com as  novas regras, os financiamentos com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo terão uma elevação do limite do valor total financiado de 50% para 70% do valor do imóvel no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), e de 40% para 60% para imóveis no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), pelo Sistema de Amortização Constante (SAC). Os limites menores valiam desde maio de 2015, quando o banco limitou o volume de crédito para imóveis usados.

Mudança positiva
“O segredo do mercado imobiliário chama-se financiamento porque é assim que as pessoas têm condições de comprar. A nova regra deve ajudar o mercado”, afirma Noel Silva, conselheiro do  Conselho Regional de Corretores de Imóveis - 9ª Região (Creci-BA).  Segundo ele, a mudança anterior agravou a crise econômica que já existia.“Quando o índice foi reduzido a 50% em maio do ano passado, sentimos o impacto na venda de imóvel usado, que reduziu bastante. Para nós, o  cenário ideal seria que a Caixa voltasse a financiar 90% dos imóveis usados, como já aconteceu anteriormente”.

O presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-BA),  Kelsor Fernandes, vê a medida como a tentativa de corrigir o equívoco quando o teto de financiamento foi reduzido. “Naquela época foi um baque geral para o mercado. A esperança  é que o aumento no percentual do financiamento aqueça o segmento, principalmente no setor de usados”. Apesar de ser uma boa notícia, Fernandes  diz que apenas essa  medida não vai salvar o setor, pois a renda dos brasileiros tem caído.

Imóveis novos
A medida deve incrementar  positivamente a venda de imóveis novos. Para o  presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA), Carlos Henrique Passos, a nova regra facilita a liquidez do mercado de usados e dinamiza o de imóveis novos. “A pessoa que compra o imóvel novo conta, muitas vezes, com a venda do seu usado, que foi prejudicada com a mudança da regra no ano passado. Com o novo percentual, esperamos que essa negociação seja facilitada”, declara.

A notícia também foi vista de forma positiva pelo presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA), Luciano Muricy Fontes. “Se a pessoa tinha dificuldade de vender o imóvel antigo, a compra do novo também era inviabilizada. É um bom sinal para o mercado que eles tenham voltado atrás”.

Para ele, apesar da medida ser um ânimo, ela é pontual. “Apesar de ajudar, é preciso que o país retome o rumo da economia”, completou.

Dois lados
Do ponto de vista do consumidor, a medida é importante, pois a mudança anterior dificultou o acesso à casa própria, conforme   Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

“Imagina a pessoa que tinha um financiamento de 80%. Quando a Caixa Econômica  reduziu o financiamento para 50%, um imóvel de R$ 500 mil passou a exigir  R$ 250 mil de entrada. Em muitas situações, a compra era inviabilizada, porque não é todo mundo que conseguia ter esse valor”, afirma. Pelas novas regras, o mesmo imóvel exigirá agora uma entrada de R$ 150 mil. Para funcionários públicos, o valor reduz ainda mais, ficando em R$ 100 mil.

Apesar da mudança, Oliveira afirma que o consumidor está muito cauteloso para realizar financiamentos longos. “O cenário atual preocupa. Muitos  estão evitando se endividar agora por conta situação econômica. Os consumidores estão agindo com cautela”, afirma. “No momento atual de queda de vendas, inflação e desemprego, o consumidor vai pensar várias vezes antes de comprometer sua renda em um financiamento de imóvel”, completa.

Segundo imóvel
Também na tentativa de reaquecer o mercado imobiliário, a Caixa Econômica  anunciou a reabertura do financiamento de dois imóveis simultâneos pelo mesmo tomador de crédito. Na prática, quem ainda está pagando pela compra de um imóvel financiado poderá fazer um segundo contrato do gênero.

A restrição ao financiamento do segundo imóvel estava em vigor desde 17 de agosto do ano passado. “Desta forma, o cliente poderá ter dois imóveis financiados ou ter uma folga de tempo para vender o seu primeiro imóvel”, afirmou a presidente da Caixa, Miriam Belchior, em entrevista.

Segundo o banco, as regras para o segundo  financiamento serão as que estão vigentes e os recursos a ser disponibilizados pela Caixa serão semelhantes aos do ano passado.

Com as medidas, o banco espera elevar o volume de contratações em 13% neste ano, o equivalente a 64 mil unidades habitacionais a mais: 29,7 mil serão financiadas com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e 34,3 mil pela poupança.

Para aumentar a oferta de crédito, a Caixa Econômica usará recursos adicionais do FGTS. Dos R$ 22,5 bilhões liberados em fevereiro pelo Conselho Curador do fundo, R$ 16,1 bilhões serão destinados ao banco. As taxas de juros vão variar de 7,85% a 8,85% ao ano, no caso dos imóveis de até R$ 750 mil. Também está prevista uma linha de crédito de R$ 2,4 bilhões com taxas especiais para construtoras. O dinheiro poderá financiar a produção de imóveis de até 
R$ 500 mil.

Com as implementações, a  Caixa  quer retomar o crescimento do volume de financiamentos imobiliários no banco. “A meta é aquecer a demanda para que se tenha um impacto de maior acesso à moradia e à retomada da construção civil”, disse Miriam Belchior.

Fonte: correio24horas.com.br
 

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